“OBRA DE mARTE”

“Em uma moldura clara e simples, sou aquilo que se vê”, essa é uma das frases que compõem a musica Retrato par Iaiá, interpretada pelo Los Hermanos -a versão que estava escutando ao menos – e por um segundo pensei, esse “cara sou eu”. Sempre me achei muito simples e claro, mas então me dei conta que não… Pensando um pouco mais sobre, me dei conta que talvez eu seja um parangolé. 

Isso demandaria uma análise mais profunda, coisa que não tenho a menor pretensão de fazer agora, mas isso explica o fato de eu ser tão alienígena para outras pessoas. 

Pablo Neruda – Assim que te quero

Pablo Neruda – Assim que te quero

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.