E se as eleições no Brasil adotassem o mesmo sistema dos Estados Unidos?

Postado originalmente em Extratime

Resultados das eleições 2014 feito em cima de mapas da Folha de São Paulo

Por Leandro Stein, da Trivela

O Brasil acaba de sair de sua eleição presidencial mais apertada. E o resultado por estados rapidamente criou a ideia de país dividido regionalmente. O argumento é falho se considerarmos que, dentro de cada estado também há divisões por municípios (veja o mapa da direita), ainda mais porque o País tem eleições diretas. Dividir por estado faz mais sentido nos Estados Unidos, com eleições indiretas. E aí surgiu a ideia aqui: como seria o resultado se a eleição brasileira adotasse o modelo norte-americano, com definição de delegados estaduais para definir o presidente?

Para quem não sabe como é feita a escolha nos Estados Unidos: por lá, existe um colégio eleitoral com o mesmo número de representantes do Congresso, que é quem indica o presidente. Se um candidato ganhar em um estado, ele tem o direito de indicar todo o colegiado. Assim, a vitória do Obama na Califórnia garantiu 55 democratas no colégio eleitoral, independente se foi por 50,1% ou 99,9%. No fim das contas, ganhar em estados com mais congressistas (os mais populosos) vale mais do que ganhar em muitos. E o novo presidente não precisa ser necessariamente o que tem mais votos, já que 50,1% ou 99,9% são a mesma coisa.

Para fazer a conta, tomamos por base o número de congressista no Brasil mesmo. Estado por estado, a diferença da Dilma sobre o Aécio foi pequena. A petista venceu em 15, contra 12 do tucano. Assim, seriam 45 a 36 representantes para a petista em referência ao Senado (onde cada estado tem direito a três nomes), uma vitória parcial de 55,5%.

O que pesa é que a Dilma venceu em 7 dos 11 estados com mais deputados. E isso faria a diferença para que ela abrisse uma diferença enorme no colégio eleitoral. As duas vitórias mais apertadas da petista foram em Minas Gerais e Rio de Janeiro, segundo e terceiro em total de representantes. Os 52,4% em MG e os 54,9% no RJ valeriam bem mais do que os 64,3% de Aécio em São Paulo. Afinal, vale lembrar que no sistema indireto norte-americano 50,1% ou 99,9% não importam. Seriam 99 representantes mineiros e cariocas para a Dilma, mais do que os 70 paulistas.

No fim das contas, somando Câmara e Senado, Dilma ganharia de Aécio por 426 a 168 – em percentual, 71,7% para a presidente. Se quisesse reverter esse quadro, o tucano teria que vencer nos quatro estados em que teve a menor derrota para a petista. Além de Minas e Rio, também Pará (onde teve 42,6% dos votos) e Amapá (38,5%).

Tamanha diferença se explica principalmente por São Paulo. Os paulistas têm, de longe, a representatividade mais diluída da Câmara. São 570 mil habitantes por deputado, enquanto a média nacional é de 362 mil. Para se ter uma ideia, a segunda mais diluída é dos paraenses, 437 mil. Se estivesse dentro da média nacional, SP teria 110 deputados ao invés dos 70 atuais.

Assim, caso a Câmara dos Deputados do Brasil respeitasse proporcionalmente o número de cadeiras por estado em relação população, a vitória de Dilma seria mais apertada. A presidente seria reeleita com 318 a 276 votos no colégio eleitoral, um percentual de 53,5% do total – de qualquer forma, uma diferença maior do que na votação absoluta do sistema brasileiro. Sozinho, o estado de São Paulo renderia 114 votos a Aécio, 41,3% de seu total. E aí Minas Gerais seria realmente decisiva no pleito. Se vencesse em seu estado natal, o tucano ganharia por 332 a 262. A vitória mais apertada de Dilma em todo o país seria ainda mais valiosa.

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