Qual o Próximo Nível?

Estava conversando com um amigo meu esta semana e constatei, tristemente, o que desconfiava já a algum tempo: Todos os meus amigos, que ainda não são pais, estão aterrorizados com a menor perspectiva de experimentarem a paternalidade/maternalidade. Apesar de ficar desapontado, posso dizer que os compreendo. Acho que ninguém chega a estar realmente preparado para ser pai ou mãe. Por mais que eu entenda que este é o curso natural da vida, existem muitos medos que cerceiam cada novo passo em direção à este mundo novo e inexplorado por nós.

A frase “Indo audaciosamente onde nenhum homem jamais esteve”, ganhou um novo significado! Eu também me sentia assim, aterrorizado com ideia de ser responsável por uma pequena pessoa, um alguém que olhara para mim e verá um verdadeiro herói, isento de vícios e sempre apto para resolver qualquer desafio. Mas, curiosamente, quando minha esposa disse que estávamos grávidos, como que por mistério eu sabia exatamente o que precisava ser feito: tentar ser um companheiro para esses meses que se seguiriam, aturar os rompantes hormonais da Matriarca com um sorriso no rosto, planejar e executar uma série de passos que antecederiam o parto e , acima de tudo, manter a mente limpa e serena, mesmo diante das maiores agruras que uma gestação poderia nos trazer. Falando assim, parece que foi simples ou que eu sabia exatamente o que se seguiria, o que não é uma verdade. Não existe manual ou lista de 10 dicas mágicas capazes de servirem como códex das boas práticas paternais, mas de alguma maneira eu sabia que deveria fazer. Lembrei-me do ensinamento do grande mestre Yoda: “Fazer ou não fazer, tentar não existe!”, e eu, tal qual seu jovem aprendiz, foquei minhas forças no que deveria ser feito
Fiquei bastante desapontando com a maneira como meus amigos reagiram à notícia. Esperava que compartilhassem comigo essa mágica e sorrissem meu riso, afinal está será a primeira cria da nova geração. Mas o que parecia de fato, era que havia anunciado minha morte através de um câncer que estava em estágio terminal, e eles, meus amigos, sem terem muito tato para assimilarem a notícia, apenas disseram meus pêsames e mudaram de assunto rapidamente, como se falar da minha iminente e súbita despedida do mundo pudesse afetar meu ânimo.

Mas compreendo o sentimento que tiveram. Acredito que deva ter sido o mesmo que tive, alias tivemos, quando o primeiro de nos anunciara que iria se casar! Oras, como alguém anuncia que vai se casar, que vai dar adeus a sua liberdade, com um sorriso no rosto e espera que seus brothers fiquem contentes com sua vindoura e anunciada morte social? Afinal, é fato conhecido e comprovado, que homens casados não podem mais ter suas vidas antigas de volta… bye bye viradas de RPG!

Mas é o curso natural da vida, e ocasionalmente todos nós, jovens aterrorizados com esse novo mundo, nos casamos, e ainda jogamos RPG – sem viradas, evidentemente! – mas ninguém morreu, ao contrario, ganhamos ótimos partes para as aventuras noites a dentro. E agora, como em uma releitura de nossas vidas imberbes, posso sentir o mesmo medo e receio deste mundo novo em cada frase entrecortada que dizem e a cada olhar trocado, uns com os outros. Como se esse mundo novo, fosse contagioso, ou pior! Se ele pudesse de alguma maneira -los de suas vidas sem filhos e arremessarem-nos num vórtex de desespero, regado a choro e fraldas! (Rs) E apesar do desapontamento, eu entendo e no final das contas, até acho curioso.

Outrora, me disseram que casar era como pular numa piscina de água fria, o primeiro morre congelado dizendo que está uma delícia, esperando que mais alguém o siga em sua jornada não muito esperta. Quem me disse isso? Não lembro ao certo, mas não farei o mesmo ao ser pai. Porque mesmo em meio aos maiores receios e possíveis preocupações de não ser o mestre que minha youngling precisa que eu seja – sorte minha que a expectativa dos bebes é bem baixa! – esta experiência é tão única e indescritível que todos deveriam trilhar essas sendas por si mesmos, ao seu próprio tempo. O que posso dizer é: Pelo que vejo, quase todos já possuem os pontos necessários para subir de nível e, na hora certa, tenho certeza que saberão exatamente quais NH`s precisarão aumentar para serem os ótimos pais que sei que serão. E ainda jogaremos RPG…

 

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