Os 80 anos do Fantasma

Postado originalmente em Omelete.com por Marcelo Hessel

Criado pelo americano Lee Falk em 1936 – mais precisamente em uma tira de jornal que começou a ser publicada em 17 de fevereiro daquele ano, há oito décadas – o Fantasma foi o primeiro aventureiro mascarado dos quadrinhos, trazendo em si vários dos elementos que depois consagrariam os super-heróis das HQs, a começar pelo uniforme colante. Se o seu contemporâneo Flash Gordon ajudou a moldar as óperas espaciais do século 20, a figura do vigilante que responde a um chamado primal deve muito ao Fantasma.

O sucesso de sua fórmula singela – um homem que assume a caça aos criminosos como missão de vida após a morte de seu pai pelas mãos de um pirata – é comprovado por mais de meio século de publicação ininterrupta. Nesse período, os leitores puderam ver o protagonista adotar um jovem órfão (Rex), casar-se com seu primeiro amor (a estonteante Diana Palmer), ter com ela filhos gêmeos (Kit e Heloise), tornar-se amigo do presidente de Bengala, país africano fictício no qual tem sua morada, e frustrar dezenas de planos criminosos.

Na mitologia do Fantasma, ele transcende sua identidade original, no século 16, na era das navegações, e o seu trabalho de combate ao crime é continuado por seus descendentes, que repetem o Juramento da Caveira ao assumir os anéis do herói: “Juro dedicar minha vida à tarefa de destruir a pirataria, a ganância, a crueldade e a injustiça. E meus filhos e os filhos de meus filhos me perpetuarão”.

Pela repetição, geração após geração, o chamado Espírito que Anda se torna uma lenda que vai além das fronteiras de Bengala, o que o ajuda no vigilantismo, uma vez que Fantasma não tem superpoderes, apenas suas habilidades de combate, suas pistolas e seus anéis – um na mão esquerda, para marcar as pessoas que ficam sob sua proteção, e outro com um emblema de caveira, na mão direita, que deixa uma cicatriz em quem recebe os socos do Fantasma.

Famoso também por ter criado o Mandrake, Lee Falk escreveu as tiras do Fantasma até sua morte, em 1999. Diz o folclore que sua esposa, Elizabeth Falk, finalizou as duas últimas histórias, “Terror at the Opera” e “The Kidnappers”, depois que Falk arrancou sua máscara de oxigênio no hospital para ditá-las. De qualquer forma, o personagem já estava bem estabelecido sem seu criador. Além de continuar nos quadrinhos, o Fantasma já havia migrado ao cinema – nos filmes seriados de 1943 e décadas depois com o malfadado longa estrelado em 1996 por Billy Zane (veja imagem acima) – e à televisão, nos anos 1960.

No Brasil, o Espírito que Anda foi, durante longo tempo, publicado pela Rio Gráfica e Editora, depois pela editora Globo, que o engavetou nos anos 1990. A partir daí, foi retomado pela Editora Saber em pouco mais de 40 números, na série Fantasma: Edição Histórica, encerrada em 1999, título que reempacotava uma edição anterior da mesma editora, trazendo as tramas clássicas de jornal do personagem. No novo século, o aventureiro teve encadernados editados pela Opera Graphica.

Visitar pedaços desse material ajuda a entender parte da história dos quadrinhos. Mesmo que o Fantasma tenha sido inicialmente adaptado sem critério – o colante do herói nas tiras pré-1939 recebia cores várias mundo afora, como vermelho no Brasil, marrom na Oceania e azul na Escandinávia – seu uniforme roxo se firmou, e poucos personagens da era do quadrinho pulp são tão cultados até hoje quanto o Espírito que Anda.

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