Operadoras de internet: a busca incessante pelo pior serviço possível no Brasil (dentro da lei)

Texto postado originalmente em MeioBit por

Se havia serviço apenas ruim mas menos pior que a internet móvel no Brasil era a internet fixa. Em muitos lugares do país, a infraestrutura é velha e perto do esgotamento: para atender mais pessoas, as operadoras presentes em regiões mais afastadas cobram fortuna por uma velocidade mínima.

Normal, é lei da oferta e da procura. Problema: há pouca concorrência e entraves para novos competidores no mercado. E a Anatel é conivente com o cartel das empresas de telecomunicações que atualmente oferecem os serviços de internet no país, seja móvel ou fixa. Tão conivente que só resta ao povo órgãos como o PROCON e o Ministério Público. Reclame Aqui? Só serve como mural, ninguém liga.

A nova sacanagem com o povo? As operadoras estão mudando o sistema de oferta (e cobrança!) de internet fixa sem oferecer alternativa e sem qualquer aviso. Aliás, até avisam: empresas de call center são contratadas pelas operadoras para confundir os atuais usuários a migrarem para planos que parecem vantajosos, mas não o são.

A intenção de operadoras como Claro (NET), Oi (Velox) e Vivo (atual dona da GVT) é oferecer empurrar pacotes mensais limitados de internet fixa em todos os usuários. Até então, a oferta de internet fixa era baseada na velocidade: você contrata 25 Mb/s por exemplo e, em teoria, poderia trafegar pela internet livremente com tal velocidade. Em teoria, você poderia assistir todo o acervo do Netflix e do YouTube, desde que aceite que tais conteúdos audiovisuais seriam limitados pela velocidade contratada.

Não mais. Novos usuários das operadoras de internet fixa Vivo, Oi Velox e NET Virtua só podem aceitar pacotes de dados, sendo o maior deles de 130 GB mensais a 25 Mb/s (Vivo e Oi) ou os 500 GB mensais para o povo da fibra óptica da NET Virtua (500 Mb/s).

Clientes antigos?

Aos atuais usuários, as três operadoras fazem o seguinte: eles estariam, sem o saber, num período “promocional”. Após esse período, a velocidade é diminuída e a franquia de dados encaixada na mensalidade que já pagavam. Não é lindo?

Detalhe: estão de fora, por enquanto a Live TIM e a GVT. Mas suponhamos que nenhum consumidor proteste ou mesmo mude de operadora: quem garante que as duas não o farão? No caso da GVT, a dona Vivo tem a desculpa de mudar a marca de GVT para Vivo. No caso da Live TIM, seria para acompanhar o movimento das outras.

Estaremos migrando seu plano para um novo porque o atual deixará de existir”.

Em entrevista exclusiva ao Lucas Braga do Tecnoblog, o Christian Gebara, executivo da Telefônica/Vivo responsável pelo processo de integração da GVT, explicou que “quem usa YouTube e Netflix terá que pagar mais pela internet”. Não duvido que a Claro e a Oi pensem o mesmo.

O tio Laguna imagina a seguinte situação: compro meu Xbox One e PlayStation 4 novinhos, vou na Xbox Live e PlayStation Network baixar um jogo exclusivo de cada. O que acontece?

Vamos fazer as contas

Se eu estiver no plano de 130 GB mensais (o mais caro), já morreram ali 100 GB pelo download de míseros dois jogos da última geração. E sobram apenas 30 GB para acessar qualquer outra coisa.

Um vídeo de 15 minutos no YouTube com definição padrão (480p) tem mais ou menos 600 MB. Um episódio de 25 minutos de uma sitcom original do Netflix em 720p chega a 1,5 GB. Qualquer maratona seria impossível. Como ficam outros serviços de streaming como Spotify e Apple Music? Passou de 130 GB mensais, sem internet até comprar outro pacote de dados.

Não à toa a neutralidade da web é importante: não acham estranho ver as operadoras de telefonia/internet móvel oferecerem Facebook e WhatsApp sem cobrar na franquia?

São serviços que pouco demandam da infraestrutura de rede. Quando há YouTube e Netflix envolvidos, aí as operadoras começam a temer já que ao menos duas das três citadas (Claro e Oi) têm serviços de TV por assinatura e temem fuga de clientes para o streaming.

Isso considerando que o serviço de internet fixa se encontra estável. Particularmente não conheço os serviços de internet fixa por fibra óptica mas se forem mesmo estáveis os 500 GB mensais a 500 Mb/s seriam consumidos em 4 horas caso haja essa enorme demanda de 500 Mb/s. Lembrem-se: o Wi-Fi que há em casa gasta internet. Quantos aparelhos você mantém conectados no Wi-Fi residencial?

Use bastante o smartphone via Wi-Fi como segunda tela da Smart TV 4K por alguns dias e tchau.

Como evitar?

Mude de operadora, processe, proteste, faça algo: não podemos aceitar uma imposição dessas!

O tio Laguna só fica triste com aqueles usuários que não entendem a internet: são a maioria e vão acabar se conformando com a situação. Se puder, repassem o presente texto ou ao menos a informação contida nele. Não podemos deixar isso passar.

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